José Roberto Arantes de Almeida nasceu em Pirajuí, no ano de 1943. No último dia 3 de novembro de 2025, ele recebeu o diploma honorífico pelo Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), por ser estudante da instituição no período da sua morte.
Filho de José Arantes de Almeida e Aída Martoni de Almeida, criança ainda, em 1956, sua família mudou-se para Araraquara. Participou dos escoteiros, tocou piano, praticou natação e polo aquático, colecionou medalhas. Em 1958 foi porta bandeira de um desfile patrocinado pelo Clube Pan-Americano de Araraquara carregando o pavilhão nacional de Cuba.
Almeida foi torturado e morto nas dependências do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), em São Paulo, em novembro de 1971.
Ele e outros dois estudantes receberam diplomas honoríficos do IF-USP. O evento foi realizado no Auditório Abrahão de Moraes e integra o projeto Diplomação da Resistência, que concedeu documentos de graduação aos 33 estudantes da USP vítimas do período.
Do ITA à Cuba
No ano de 1961, o jovem filho de Pirajuí ingressou na seleção em uma das mais respeitadas graduações do Brasil, no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em 1961, em São José dos Campos.
Com o golpe militar de 1964, foi expulso e preso na base aérea de Guarujá.
Libertado, conseguiu ingressar na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH).
Lá, iniciou sua militância no Partido Comunista Brasileiro e chegou a ser vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE). À época foi preso durante os desdobramentos do 30º Congresso em Ibiúna/SP e fugiu das dependências do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS/SP)
Após a fuga, seguiu para Cuba, onde recebeu treinamento de guerrilha e ajudou a fundar o Movimento de Libertação Popular (Molipo).
Em novembro 4 de 1971, foi preso na Rua Cervantes, nº 7, na Vila Prudente em São Paulo.
Seguiu para o DOI-Codi de São Paulo, sendo torturado e assassinado.
Sua morte foi divulgada apenas cinco dias depois, quando já havia sido enterrado como indigente no cemitério de Perus.
Zé Arantes, nascido em Piracity, como citou seu primo, nosso querido Cassio Cardozo de Mello, recebeu seu diploma nessa iniciativa que homenageia as vítimas do regime militar brasileiro, projeto iniciado em dezembro de 2023.
