Para toda uma cidade, um educador, Professor, diretor, treinador, gestor, empático, amigo e humano. Para mim, meu amado, carinhoso e engraçado tio.
Pirajuí amanheceu mais triste e com menos brilho, com a notícia do falecimento, aos 77 anos, do professor Jorge Marques de Oliveira.
Criança de uma infância humilde, viu na educação a chance de transformar a sua vida – mais que isso, aproveitou da sua vocação para influenciar gerações de pirajuienses. Afinal, esteve ligado ao ensino por meio século.
Foi Professor com P maiúsculo em muitas áreas.
No esporte, foi um entusiasta e tanto, de várias categorias. Principalmente, na Escola Industrial e, mais recentemente, no Colégio Sapiência, sua mais recente paixão. Trabalhou como diretor na instituição, que amava e se dedicava, até poucos dias atrás.
A missão da educação o fez passar ainda por outras instituições da cidade, arriscaria dizer em todas, até o posto de gestor educacional do município.

Na marcenaria foi um exímio talento, ensinou nos cursos técnicos da Industrial e, ao mesmo tempo, fez de sua habilidade um segundo ofício. Houve uma época em que as encomendas eram tantas que meu pai José Daniel e meu falecido avô, Antônio Marques, eram acionados para ajudar na lixa.
Além da recuperação de mobílias históricas, tinha a facilidade para criação, para a arte, que fazia com muito carinho, capricho e que resultava em belas obras.
Tinha um jeito único de lidar com as pessoas, uma forma bem-humorada e empática. Até nas broncas. Certa vez na E.E. Maria Angélica Marcondes, foi chamado às pressas a uma sala de aula, um aluno estaria “pegando abelhas de um cacho e jogando nas colegas de sala”.

Ao entrar em passos firmes, apesar da baixa estatura, todos ficaram em silêncio e repreendidos. No que o diretor Jorge perguntou: “quero ver quem é o zangão aqui dessa sala”. E todos gargalharam.
Sabia impor respeito, mas com humanidade. Principalmente pelos mais humildes, a quem tinha um olhar especial. Para muitos, foi também psicólogo, assistente social, pai e avô.
Discreto e trabalhador, nunca fez questão de exaltar o tamanho de sua existência para a educação de Pirajuí.

Foi um dos grandes. Daqueles educadores que fizeram a cidade melhor. Um daqueles que lutou com unhas e dentes para que mais e mais estudantes concluíssem seus ensinos e se transformassem em um cidadão do mundo. Conseguiu e muito. Muitos conterrâneos estão cheios de histórias com ele.
Tive o privilégio de nascer em sua família. E tê-lo bem perto durante a infância e a adolescência. O privilégio de tê-lo como um norte em minha vida. Tenho certeza que meus primos também.
Obrigado meu tio Jorge, por tanto amor.
Obrigado Professor Jorge Marques, por tanta doação à educação de Pirajuí.

- Seleção fotográfica, meu amigo Pedrinho Pavanato.