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Johann Sebastian Bach era alemão. Se tivesse nascido no Brasil, seria chamado João Sebastião, mas isso não tem nada a ver com esse post. Não há quem desconheça o papel de Bach para a História da Música e eu ouvi dizer que para compor o homem era um corisco. Diz que Jesus, Alegria dos Homens ele fez numa sentada: pá-pum. Mas vem cá, o que eu não entendi até agora é o porquê do nome dessa música ser em português.

Mas o que quero chamar atenção é: será que Bach e a turma que ficava ali ao lado do cravo ouvindo o cara esmerilhar tinha uma mínima noção que estavam diante de um fenômeno jamais registrado nos anais da música mundial? E Mozart? Sei que o bicho foi sofrido, morreu numa pindaíba da porra, também era só cachaça mulherada, sinuca, sem falar do olho gordo daquele safado do Salieri – que depois ainda foi lá dar pitaco na CIA em Homeland. Cada uma. Eles sabiam que Mozart era o pé-do-baralho?

Gravado em setembro, foi lançado recentemente o DVD Cabaré, um show estrelado pelos cantores Leonardo e Eduardo Costa. Ofuscado pelo aguardadíssimo novo disco dos Racionais Emicidas #CoreseValores, a produção dos sertanejos não teve a devida atenção – me parece que a New Yorker e a GQ Romênia deram uma notinha e também rolou uma pequena resenha no jornal do Vaticano, L’Osservatore Romano.

Mas não seja por isso, o Homem Benigno dá um grau para você, bem.

Músicos e dançarinas em clima de total descontração. Aí não tem trânsito, não tem IPVA em Janeiro, não tem problemas em casa, etc

Músicos e dançarinas em clima de total descontração. Aí não tem trânsito, não tem IPVA em Janeiro, não tem problemas em casa, falta d´água, etc.

Leonardo todo mundo conhece, fez sucesso, Faustão, Pense em Mim, morreu irmão, piada no palco da Hebe, filho participa de A Fazenda, filho sofre acidente, se recupera, novo filho lança carreira de sucesso.

Eduardo Costa merece um parênteses um pouco maior. Nasce em Abre Campo, lá nas Minas Gerais, de família muito humilde. Aos 12 anos vaza de casa com a viola embaixo do braço em busca do sonho de fazer sucesso. Ouvi ele dizer numa entrevista no rádio que um grande impulso para sua carreira foi a rotina de estacionar seu carro nas portas das faculdades mineiras e rodar seus CDs nas caixas de som do carro (ou então às vezes improvisar com a viola ali mesmo). Aliás, as peripécias com a viola fazem dele um Yngwie Malmsteen rural: toca de costas, toca com a boca, etc.

No entanto, apesar do apelo do sertanejo universitário, seu estilo vocal flerta com o sertanejo romântico das décadas de 80 e 90 – o que, no começo da carreira, gerou certo desdém de alguns cantores “das antigas”, afinal, era um terreno que eles já dominavam né.

Os dois músicos trabalharam harmoniosamente em clássicos do cancioneiro sertanejo nacional, mesmo cantando de forma parecida. Notem a referência clara do vampiro Lestat no visual de Edu (fotos blog http://universosertanejo.blogosfera.uol.com.br)

Os dois músicos trabalharam harmoniosamente em clássicos do cancioneiro sertanejo nacional, mesmo cantando de forma parecida. Notem a referência clara do vampiro Lestat no visual de Edu (fotos blog http://universosertanejo.blogosfera.uol.com.br)

Nos últimos anos outro ponto interessante marca a biografia de Eduardo Costa, que é o body building: o cara teve uma transformação em seu visual e musculaturas dignas da assinatura de Professor Charles Xavier – upgrade que lhe rendeu conquistas como um namoro-relâmpago com a #top assistente de palco Helen Ganzarolli. Adoro! Linda! Um beijo Helen! Continue sempre assim, com essa simplicidade que te faz tão especial!

Ao lançar Cabaré, Leonardo e Eduardo Costa fizeram uma seleção de músicas muito especial, aquelas que misturam amor e o sofrimento em uma linha tênue: e que, ao melhor estilo do pirajuiense Tito Madi, a decepção amorosa é vivida com fatalidade.

O lugar para essa música sofrida, carregada de sentimentos acentuados pela cachaça: o Cabaré. É claro que isso nada mais é que um eufemismo para puteiro, mas convenhamos que não ficaria um bom título de álbum.

E, para fechar, o que considero o mais alto ponto da história da música brasileira. Leonardo e Eduardo Costa se unem para cantar Um Degrau Na Escada, música que fez sucesso na interpretação de Chico Rey e Paraná. Na música sertaneja, ela teve a função de The Concept, do Teenage Fanclub, uma música que todo mundo mexe, sem saber exatamente de quem é, e que mesmo sem ter virado mais nada, ainda é clássica.

Sente o drama (atenção para as bailarinas dramáticas):

 

BONUS TRACK

Eduardo Costa bebaço largado com uma garrafa de 51 na mão sentado no chão do churrasco cantando com um sujeito (que ao que me consta também já está fazendo certo sucesso).

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