No momento em que todo o planeta, e o Brasil, temem a proliferação do coronavírus e o aumento das mortes durante epidemia, aliás, pandemia, aqui segue um curioso registro histórico.

No ano de 1914, ou seja, um ano antes de Pirajuí ser município – à época ainda recebia o nome de povoado de São Sebastião do Pouso Alegre –, um grave problema de saúde foi registrado, causando diversas mortes.

O caso ocorreu anos depois da primeira grande epidemia de leishmaniose, registrada entre os anos de 1907 e 1908.

Se hoje em dia a rápida transmissão do coronavírus ao redor do mundo foi motivada, principalmente, pelo intenso transporte aéreo entre a China e os demais continentes, lá no início do século passado também houve uma relação com o transporte: o trem.

A Noroeste e as mortes durante epidemia

A história da leishmaniose no Brasil e considerável número de mortes durante epidemia têm estrita relação com a Ferrovia Noroeste do Brasil.

Isso acontece pelo fato de a doença, transmitida pelas picadas do mosquito palha, ter acometido um grande número de trabalhadores que estavam desbravando o interior do Estado, construindo a ferrovia.

As picadas formavam úlceras na pele desses trabalhadores e, em seguida, haviam complicações decorrentes da infecção que levavam à morte – atualmente, a leishmaniose cutânea é considerada a mais comum e leve variação da doença.

Estima-se que, ao redor do mundo, morram entre 30 e 40 mil pessoas pelos outros tipos de leishmaniose.

O episódio na estrada de ferro foi responsável por chamar a atenção das autoridades de saúde pública em todo o Brasil. A “fama” da epidemia foi tão grande, que a leishmaniose cutânea passou a ser chamada de “Úlcera de Bauru”.

O surto da doença em Pirajuí

De acordo com o estudo Cem anos de Endemias e Epidemias, publicado no ano 2000 pela médica e pesquisadora Dra. Rita de Cássia Barradas Barata, traz informações sobre os efeitos do surto em Pirajuí.

O ano era 1914 e as vítimas, igualmente, funcionários que atuavam na estrada de ferro Noroeste do Brasil.

Os trabalhadores derrubavam, constantemente, matas virgens e esse tipo de contato com a natureza os colocava à mercê do mosquito vetor com os protozoários da “Úlcera de Bauru”.

Além dos operários, moradores de povoados e vilarejos, sitiantes e fazendeiros também tiveram as feridas.

O surto não se encerrou em Pirajuí. Em 1917, seguindo o avanço da Noroeste do Brasil, ocorreram mortes em Birigui e Penápolis (provavelmente, esse pode ser um dos motivos de o mosquito palha ser, também, conhecido como birigui). Em 1919, o surto de leishmaniose causou mortes em Araçatuba.

A autora e a cidade

Apesar de citar apenas de passagem a cidade, é interessante notar que a médica Dra. Rita Barradas Barata, é ligada à cidade de Pirajuí.

Entre seus familiares (acredito que seja seu pai), está o saudoso Rubens De Cillo, um personagem bastante conhecido da história de Pirajuí, que adorava um boa conversa.

A médica é, também, viúva do ex-secretário de saúde do Estado de São Paulo, Dr. Roberto Barradas Barata (in Memoriam).

Aproveitando o assunto, vamos aqui reforçar aos leitores em geral que, nesse momento de coronavírus, vamos cumprir as determinações do Ministério da Saúde:

  • Lavar muito bem as mãos;
  • Não levar as mãos ao rosto, nariz e olhos;
  • Evitar aglomerações para não estar em contato com espirros e tosses.

Juntos vamos vencer o Coronavírus!

* A fotografia de capa é do Museu Ferroviário de Bauru, durante a construção da NOB