Numa casa pobrezinha uma criancinha um dia nasceu
Mas só após muitos anos que o fato foi alarmado
Que a criança não crescia, deixando o povo abismado
Pobre pai e pobre mãe que aquele drama sentia
A narrativa dos versos acima faz parte da música de sucesso nas décadas de 70 e 80 chamada O Menino da Tábua, famosa na voz da dupla Pardinho e Pardal, com letras de “Mairiporã”.
Na minha infância em Pirajuí (SP), tenho lembranças na mente, em minha casa, nas rodas de família, de comentários sobre o tal Menino da Tábua, sua peculiar história de vida, as lendas envolvendo sua trajetória e, é claro, seus milagres.
Me recordo até de uma vez, que uma pessoa veio me mostrar um chaveiro com o que seria uma “foto” desse personagem. Ao olhar a imagem, lembro de ter ficado muito impressionado com o que vi.

Quem é o Menino da Tábua de Maracaí
Menino da Tábua é, na verdade, um apelido dado a Antônio Marcelino. Apesar de não existirem registros biográficos muito fiéis, estima-se que tenha nascido em 31 de agosto de 1900, num vilarejo que viria a ser o município de Cândido Mota, região de Assis (SP).
Um problema de saúde muito grave acompanhou essa criança. Apenas cabeça e membros superiores se desenvolviam. Como registraram à época, era adulto da cintura para cima e criança da cintura para baixo.
Já alguns relatos diziam que, mesmo adulto (ele viria a falecer aos 45 anos), ele exibia a aparência de uma criança de três anos de idade.
Ainda muito cedo a família se mudaria para a pequena cidade de Maracaí, também na região de Assis (SP).
Sem comida e nem conforto
“Não comia arroz, feijão e carne. Só tomava água e leite. Tinha um detalhe: muita gente levava os mantimentos para ele, em visitas, como não comia os alimentos ficava para a família, de dez irmãos”, conta em vídeo o autor do livro O Menino da Tábua, Cláudio Junior Ribeiro.
Outra característica que viria a dar seu nome era a tábua, uma madeira larga utilizada para lavar roupas na beira do rio. Desde muito pequeno, Marcelino não ficava em colchões, camas ou lençóis – chorava sem parar.
O conforto lhe afastava. Só a tábua lhe dava descanso. Durante a vida toda não deixou a tábua – inclusive, por decisão da família, quando de sua morte, foi enterrado com ela.
Não gostava de usar roupas. Um sobrinho comenta em vídeo que a mãe do Menino da Tábua chegava a costurar uma roupa grossa nele, feita de cobertores, para os dias frios e chuvosos.
Segundo relatos, pela manhã, a roupa costurada estava no chão, o que era um mistério, já que Marcelino era incapaz de andar e movimentar os membros.

Milagreiro
Apesar da situação de extremo sofrimento enfrentada por Marcelino e sua tábua, sua vida guardava uma reviravolta.
Imóvel e sem o menor interesse de sair do seu quarto, viveu por ali, durante anos, praticamente escondido.
No entanto, com o passar do tempo começou a receber visitas dos moradores locais e, com essa movimentação, começam as histórias de realizações e milagres.
Populares de Maracaí contam, por exemplo, que quando havia crianças doente nas redondezas, eram levadas ao quarto do Menino da Tábua, para serem benzidas (costume muito comum do interior).
Inclusive já escrevemos sobre esse tema aqui neste texto do Homem Benigno.
E as práticas iam muito além. Uma moradora local lembra, por exemplo, que se após dar cria, uma vaca deixasse de dar leite, bastava doar um litro para o Menino da Tábua que, na outra manhã, seus úberes estavam produzindo normalmente.
A morte do Menino da Tábua
Após 45 anos de uma vida limitada do ponto de vista da mobilidade, mas movimentada enquanto devoção, Antônio Marcelino morreu na mesma data e horário que teria nascido – 31 de agosto de 1945, às 18h em ponto.
Sua morte causou extrema comoção na pequena Maracaí. Por dias e dias, multidões lotaram o cemitério onde seu corpo foi enterrado junto à sua inseparável tábua.
Fiéis e devotos levavam brinquedos e, principalmente, bolos e doces.
De lá para cá, a devoção só aumentou. Impulsionada, principalmente, pela música de Pardinho e Pardal, lançada em 1977, foram construídos mausoléu e capela que, até hoje, recebem multidões na cidade.
(Aliás, uma curiosidade: sabia que Tião Carreiro e Pardinho, a dupla original, foi formada em Pirajuí? Clique aqui e conheça a história.)
Para se ter uma ideia, a Festa do Menino da Tábua, que acontece no último domingo de agosto de cada ano e que já ultrapassa 35 edições, costuma reunir 40 mil devotos à Maracaí, que já é destaque no turismo religioso nacional.
Diante dos procedimentos não só religiosos, mas também técnico-científicos da Igreja Católica no que tange à canonização, apesar de ter uma imensa sala de milagres, o Menino da Tábua ainda não é considerado santo, apenas na devoção popular.

Um detalhe interessante: não há fotografias do Menino da Tábua. A imagem que, no início deste artigo, eu cito que teria me impressionado era, na verdade, uma ilustração.
Ao que consta, tempos depois de sua morte, um artista de retratos-falados do Deic de São Paulo teria sido chamado à Maracaí para registrar o que seria a única imagem do Menino da Tábua.
Um irmão muito parecido com Marcelino foi utilizado como modelo, tendo em vista a semelhança do rosto. No corpinho infantil, uma inconsistência apontada em seguida pelos familiares: durante toda a vida, o Menino da Tábua manteve os punhos cerrados e nunca abertos como na imagem.
A devoção foi tamanha à época que, acreditem, até o irmão que serviu como modelo para o “retrato-falado” passou a ser procurado por populares em busca de milagres.
E foi mais ou menos essa a história de Antônio Marcelino que, mesmo aos 45 anos de idade, nasceu, viveu e morreu menino. O Menino da Tábua.
Conheça mais sobre Maracaí e a festa do Menino da Tábua clicando aqui.
Leia também:
Alexandre
21/05/2019 — 11:52
Cara, que interessante ler sobre o menino da tábua. Na casa de meus pais, quando eu era criança, sempre teve um quadro com o menino da tábua, ficava na penteadeira da minha saudosa mãezinha. Não sei se esse quadro existia lá por meus pais ou por conta de minha vó Julia, benzedeira famosa na cidade (vou ler seu texto sobre as benzedeiras e falo dela nos comentários lá rs), mas o quadro estava lá e, meu pai, que sempre foi da zoeira, quando queria tirar onda comigo me chamava de menino da tábua, não por eu ser um milagreiro, longe disso, mas por ser, naquela época, muito, mas muito magro e ter uma cabeça desproporcional ao corpo magrelo rsrs, era praticamente a descrição que o “Seu Aldemar Vigário” fazia do professor Raimundo, era só joelhos e cabeça. Minha mãe tirava uma onda com isso também. Enfim, em minha vida sempre levarei a imagem do menino da tábua pela comparação física que meus pais faziam comigo. Hoje seria mais fácil me compararem ao Seu Boneco, da Escolinha, pois a barriga resolveu combinar com a cabeça e os joelhos, o resto do corpo não muito.
funcionário Marcelo
21/05/2019 — 17:54
Então cara… na nossa vida interiorana, a figura do Menino da Tábua era sempre presente, tanto no lance da devoção, como tb em interjeições: “veio fulano e o Menino da Tábua”, coisas assim… muito interessante essa forte presença né, coisa de devoção popular mesmo
Ovair
23/05/2019 — 22:14
Já estive em Maracaí, a pedido de minha sogra fomos visitar o local na capela sentimos uma força de energia muito interessante.
funcionário Marcelo
24/05/2019 — 16:58
Que legal! Um dia ainda vou conhecer!
Solange Miria Franco Farinha Farinha
11/08/2019 — 12:51
Ontem fomos em Maracai e achei muito interessante a historia do Marcelino. Entramos na Capela me ajoelhei, fiz oracoes e tirei algumas fotos. Na Cidade fui perguntar sobre ele., Fiquei encantada com tudo o que ouvi. A Fe da pessoas eh muito.linda!!
funcionário Marcelo
13/08/2019 — 00:11
Obrigado por compartilhar, Solange! É para isso mesmo que contamos essa linda história!
Eduardo
10/12/2019 — 10:17
Minha mãe diz que eu não andava quando criancinha , e foi graças á devoção
dela ao Menino da Tábua que eu comecei á andar .
Valdir Emiliano da silva
01/01/2020 — 22:29
Com 5 anos de idade puxei num buraco onde tinha muita palha de amendoim queimando meu pé ficou totalmente queimado através da minha mãe médico falou q eu iria ficar paralítico por isso minha mãe levou ai em Maracaí poucos dias comecei andar hg estou com 42 foi o milagre e a fé de minha mãe agradeço vc menino da tabua quem minha mãe sempre teve fé por tudo que pedia ela alcançava
funcionário Marcelo
02/01/2020 — 21:19
Que linda história Valdir
Matilde
27/09/2020 — 20:37
Nos anos 90 lembro que fui pra maracaí em uma romaria da cidade mogi guaçu ficamos muito felizes quando visitamos o menino da tábua amém 👏👏
Márcio José Oliveira
25/11/2020 — 20:44
Interessante com tantos devotos e não registraram uma fotografia!
Henrique
01/09/2021 — 03:29
Porque nunca houve interesse em exumar o corpo? Nunca houve tentativa de abertura do processo de beatificação junto à Igreja Católica????
Nunca ninguém investigou a fundo os verdadeiros milagres…
Isso me cheira história de Roque Santeiro.
Edinelsa angela de arauno
17/10/2021 — 11:19
Não sabia dessa história, hj liguei no canal 02 e estavam cantando a música “menino da tábua ” ai fui pesquisar no Google e achei a história, e por sinal uma história muito triste
Elionai marcelino
03/11/2021 — 00:51
Eu fiquei curioso porque tenho primos na região somos da família Marcelino não sei se era primo do meu pai que nasceu em 1942 darei uma pesquisada mas fé e que Deus abençoe a todos.
Angela Maria Alves
12/11/2021 — 15:34
Tenho um quadrinho dele…era do meu ex sogro…estou gostando muito de conhecer a história sobre ele…vou pedir um milagre de cura p/ ele🙏
Angela Maria Alves
12/11/2021 — 15:35
🛐
João André Miranda de Almeida Prado
29/01/2022 — 21:41
Acredito que não haja fotografias dele porque nasceu em 1900 e morreu em 1945, nessa época poucas pessoas tinham máquina fotográfica e talvez quem tivesse ficasse constrangido em fotografar uma pessoa naquelas condições.
Nelson Ricardo Malaghini
28/08/2022 — 10:08
Tive a oportunidade e felicidade de conhecer a pequena e aconchegante Maracaí. Tive a Bênção de passar pelo túmulo de António Marcelino e reviver uma história da Vida e da Bênção de Deus em uma criança que hoje é uma Luz.
Menino da Tábua, Rogai por todos nós.
Dirce Silva Amaral
14/02/2024 — 13:06
Meu Deus ontem .dia 14 /2 /2024.ui em Maracai. Conheci. A capela. do menino da tábua. Chorei muito de emoção. Muito feliz. Foi a primeira vez que Deus me deu aportunidade de conhecer. Obrigado meu Deus. E agradeço meu genrro. Por me levar.
AUXILIAMARA
09/04/2024 — 12:05
Acabei de ler sobre o menino da tábua uma história maravilhosa . Não tem como não ser devoto do dele . Ele é um verdadeiro milagre e é através dele que sei que irei conseguir o meu objetivo . Pode ter certeza estarei aqui contando minha graça que ira ser em breve que ele ira me dá e ainda irei agradecer em seu tumulo .
LUIZ CARLOS FERREIRA DOS SANTOS
01/09/2024 — 09:34
Ouvi a música no rádio aqui em Frederico Westphalen no RS. Nunca havia escutado a música e não sabia da história do Menino da Tábua. Hoje é 01 de setembro de 2024, casualmente, ontem foi a data de seu falecimento, 31/08/1945. Deus abençoe todos os devotos.