A cidade de Pirajuí literalmente parou para acompanhar o concurso de beleza Rainha da Noroeste. O ano era 1957 e duas fortes candidatas pirajuienses disputaram a etapa regional.
As concorrentes eram as belas: Santa Eduvirges de Lion (hoje, Neme) e Nidelce Brittis (in memoriam).
Santa, no seu casamento Nidelce (em rara foto do acervo do Professor Joel Ramos)
A cidade inteira se mobilizou para escolher a representante local para a finalíssima, que seria realizada posteriormente, em Araçatuba.
Para definir quem foi a vencedora, a sociedade local se concentrou em um majestoso baile no Pirajuí Cestobol Clube (CC), em um domingo, dia 12 de Maio de 1957.
A realidade da região era tão diferente à época que, até numericamente, as cifras impressionam – quase 90.000 moradores votaram no concurso.
Aqui aproveito para fazer uma correção, graças à colaboração desse nosso “conselheiro editorial” que é o amigo Francisco Bonadio Costa:
Guarantã, Pongaí, Reginópolis e Uru já haviam se desmembrado de Pirajuí bem antes do concurso. Pirajuí tinha cerca de 30.000 habitantes (cidade 7.000 habitantes e zona rural, o restante ). As demais, juntas não chegavam a isso.
Mas o grande número de votos (que superou 90 mil) se deu por outros motivos, que explicaremos melhor logo abaixo.

O concurso Rainha da Noroeste
O evento que mobilizava dezenas de cidades teve sua primeira edição em 1954. O organizador era o visionário jornalista Osvaldo Penna, diretor da revista Cadência (“Uma Revista da Noroeste para o Brasil”) e do semanário O Debate – ambos com a redação em Araçatuba.
A Cadência era a revista que circulava nas estações e composições da gigante ferrovia Noroeste do Brasil. O nome do concurso, Rainha da Noroeste, faz referência à linha do trem.
Por isso, municípios de Bauru a Corumbá faziam parte das preliminares da competição. Em 1957, havia até uma candidata finalista representando a cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero.

Penna mostrou-se muito animado com o entusiasmo de Pirajuí pela competição. Tanto que, terminada a preliminar, fez questão de enviar uma mensagem para a vencedora da etapa local, como veremos mais abaixo.
A final do concurso Rainha da Noroeste ocorria com grande baile de gala em Araçatuba. Geralmente, recebia autoridades (até de nível nacional), vencedoras de concurso de beleza (como a miss São Paulo, por exemplo) e renomadas celebridades do rádio – que era o veículo sensação da época.
O prêmio para a vencedora da final era maravilhoso: “uma viagem aérea para qualquer ponto do Brasil, com direito a escala, oferecida pela Emprêsa Cruzeiro do Sul”.
Importante lembrar que estamos falando de um voo nos anos 1950! Era um prêmio e tanto.
Quem foi a vencedora: Santa ou Nidelce?
Pirajuí estava dividida. Quem seria a Rainha da Noroeste? De um lado, Santa, do outro Nidelce.

As discussões tomaram as ruas da cidade, as rodas de conversa, nos bares, nas famílias, na sorveteria, nas reuniões dos clubes e nas arquibancadas do estádio municipal.
As capas de jornal traziam as fotos de Santa e Nidelce. Quem seria a eleita para representar Pirajuí no concurso Rainha da Noroeste?
O voto popular fez sua escolha: Nidelce Brittis foi a escolhida, em disputa!
E aqui, novamente, graças ao Bonadio, temos mais informações sobre como se deu a validade dos votos da eliminatória do concurso:
A fase local de a Rainha da Noroeste foi feita através da compra de votos para as candidatas. A Santa concorria pelo IEDAP (Pujol) e a Nidelce, pela Escola de Comércio (como era conhecido o Colégio Comercial 29 de Março).
Os alunos do IEDAP não trabalhavam, de modo que não tinham como comprar mais votos que os da Escola de Comércio, a grande maioria trabalhando e tendo mais recursos.
Após a pesquisa, não consegui descobrir se, na finalíssima, Nidelce teria vencido o concurso.
Graças a informações que obtivemos posteriormente, aqui confirmamos: A Nidelce foi, sim, a grande vencedora do concurso da Noroeste.
Ela trabalhava na firma Dante Savi & Cia (revenda da FORD em Pirajuí e ficava onde hoje está o Supermercado Serve Todos).
Temos, inclusive, essa belíssima ilustração feita pela empresa Foto Artista, de Tupã, com a competidora pirajuiense. Aliás, se você é ou conhece algum familiar da Nidelce, por favor entre em contato, para que possamos entregar-lhes esse presente maravilhoso.
Os belos registros deste artigo são do acervo das famílias Formagio e Santarosa – a quem agradeço de coração.

Claudine Pereira
30/09/2019 — 15:31
Não é a toa que a cidade de Pirajuí, desde antes destas competições de Belezas Femininas até os dias de hoje é só percorrer as belezas que temos no nosso GRUPO DE AMIGOS DO EEDAP DE PIRAJUÍ desde Senhoras, mães de meia idade, filhas verdadeiras manequins e bebês lindas e charmosas desde nascimento. EU ACHO QUE ISTO SE DEU PELA MESCLAGEM DE CASAIS ENTRE VÁRIAS ETNIAS DO INÍCIO DESTA CIDADE COM EUROPEUS, NEGROS, LIBANESES, E MUITOS DO ORIENTE MÉDIO E DE JAPONESES, BEM COMO OS ORIENTAIS EXISTENTES. E NÓS TEMOS MUITO A AGRADECER DE SERMOS ASSIM. VIVA PIRAJUÍ.
funcionário Marcelo
30/09/2019 — 18:20
Grande Deié!
messias josé rodrigues
04/10/2019 — 19:36
Caro homem benigno. Bela reportagem. Fiquei muito triste em saber que a belíssima Antônia Nidelse Brittis faleceu. Foi minha amiga e colega na EScola de Comércio. Gostaria de saber ser a escola de Comércio ainda existe.
funcionário Marcelo
16/10/2019 — 22:05
Caro Messias!
Obrigado pela leitura! estou com sua biografia em mãos! em breve vamos explorá-la.
A Escola do Comércio hoje é um colégio particular, de ensino Fundamental e Médio, apenas diurno. Inclusive, minha mãe é funcionária desta instituição há muitos anos.
Luís Carlos
02/04/2021 — 20:54
Grande Marcelo! Parabéns pelo seu trabalho! É muito bom saber das histórias de Pirajui, da forma que você às apresenta!
Sou vizinho dos irmãos (por parte de pai) da Nidelce: Silvia e Sérgio. Me lembro dela, quando vinha visitá-los.
funcionário Marcelo
27/04/2021 — 22:49
que maravilha!